Coisas do mundo #13 - (In)fidelidade (?!)

Nunca me esqueci de quando o R. (meu namoradito de adolescência) me dispensou porque se interessou por outra rapariga. Antes disso claro que já andava com ela. Aqui já ninguém acredita em unicórnios. Lembro-me bem da angústia e das noites passadas em lágrimas. Da auto-estima no chão. Foram dias negros. Na adolescência se já temos tendência a dramatizar, imaginem lá.
Acredito até hoje que durante muito tempo fui toldada por aquela desilusão. Que o digam os meus namoraditos seguintes que levavam com alguém sempre à espera de ser trocada. Muito ciumenta.

Claro que com o tempo a minha perspetiva mudou. Não que não ache que isso não possa acontecer... Aconteceu mais vezes, mas na idade adulta temos outra claridade para entender que não adianta sofrer por antecipação, e que quando somos preteridos não quer necessariamente dizer que o problema é nosso, ou que somos piores, mais feias e mais gordas.
Por exemplo, lembro-me de um rapaz que namorei, o C. Ele tinha uma namorada de infância, andavam ali desde os 14 anos com intervalos. Ela fazia dele gato sapato. Ora o trocava por outros, ora se fartava e voltava para o totó. Era o porto seguro da moça. Quando começamos a namorar, claro que ela acabou com o atual para vir atrás dele, e claro que ele me deu um chutezinho. Custou? Eh pá, ali 2 ou 3 dias mais tal, mas continuei com a minha vidinha. Hoje olho para ele e só penso MEU DEUS O QUE É QUE EU TINHA NA CABEÇA? COMO ANDEI COM O SEMELHANTE?! QUE AZEITÃO. USAVA CAMISOLAS A DIZER "DE PUTA MADRE" E AINDA POR CIMA DIZIA "OUBISTES" E "PRONTOS". BENDITA A HORA QUE ME DESAMPAROU A LOJA.
Mas como este, outros. Sinceramente devia estar possuída por uma alma do além. Tenho uns 3 cromos na caderneta, daqueles que até queria poder apagar só pela vergonha de alguém descobrir!!!

Mas há aqui um fato inegável, tanto o primeiro como este, passado umas semanas tentaram voltar muito provavelmente porque foram enchutados também. Nunca obtiveram sequer uma resposta! Sou um ás na coisa de não responder a 15116 sms's nem atender nenhuma chamada. Isto se não os bloquear já é sorte.
Aliás, nunca reatei um namoro, nunca. Se me vinham com o "acho que devemos acabar", estava acabado. Para mim ou era ou não era. Não conseguia perceber a ideia de amigas minhas que eram absolutamente subjugadas pelos rapazes. Perdoavam traições, andavam sempre atrás deles e embora levassem com os pés vezes sem conta continuavam à espera...
Às vezes penso que nunca me apaixonai a sério! Uma paixão daquelas malucas, que fazem as pessoas perder o chão, fazer figuras parvas, humilharem-se. Desatinar completamente. Sempre que me senti apaixonada foi em versão light. Ok, pensamento longe 24/7 etc e tal mas nunca perdi o amor próprio, nunca me rebaixei, nunca perdi o orgulho.

E posso dizer que mantive este meu orgulho até hoje. E acho que é isso mesmo, sou muito orgulhosa, com o que isso tem de  bom e mau, portanto se me imaginasse a ser traída pelo marido agora, não sei como seria. Não sou peremptória em dizer que não o aceitaria de novo, amadureci o suficiente para saber que podia acontecer de o aceitar, mas ou me conheço muito mal ou seria uma tentativa falhada. Sou daquelas pessoas que não conseguem voltar a confiar em quem mostra não merecer confiança, mesmo tentando, não consigo. Na teoria acho que todos merecemos uma segunda oportunidade, na prática não estou disposta a dar o peito às balas. E do fundo do coração, acredito que não estaria inteira na relação de novo... Mas acredito que ter uma filha fosse pesar muito no prato da balança de pagar para ver. Porque antes de ter filhos posso afirmar com toda a certeza que uma traição seria o fim. Agora, uma traição seria só possivelmente o fim. Isto dos filhos não muda só a anatomia, está visto.

Comentários

  1. Tambem pensava assim. Antes de ter filhos achava que uma traiçao nao tinha perdao. Depois quando me deparei com a traicao e 2 filhos vi que era diferente. Quis que ele saisse de casa, ele nao aceitou, queria que o perdoasse. Acordamos viver juntos mas separados na pratica. Com o tempo reaproximamo nos, voltei a confiar e vamos agora ao terceiro filho. Consegui perdoar, mas atençao, levou anos. Tambem acho que contou muito ele ter sido honesto e ter-me contado antes que descobrisse. E nao era uma amante, foi uma vez só numa despedida de solteiro... Enfim, hoje recordo sem grande mágoa. Mas há algum tempo atrás se me lembrasse era capaz de andar mal uns dias.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acredito que ter sido ele a contar tenha feito imensa diferença. E fico feliz por ler testemunhos de quem conseguiu ultrapassar tudo! Acredito que tenha sido um caminho difícil, mas fica o consolo de olhar para trás e ver que valeu a pena. Felicidades para si, para a sua família e o bebé que está para chegar!

      Eliminar

Enviar um comentário